Assertividade
na comunicação empresarial
Consultor
de Plantão nº 06
A prática da assertividade rotineira é um dos
grandes benefícios que uma empresa pode instituir. Ela possibilita economia de
tempo, valorização das pessoas, objetividade, produtividade e motivação no
trabalho, além de produzir satisfação junto ao cliente externo em função da
qualidade dos contatos com a organização. Isso se obtém com funcionários
felizes, que adotam posicionamentos diretos, firmes e transparentes incorporados
à própria cultura da empresa.
*Luiz Roberto Bodstein
Poderíamos afirmar, sem muita margem de erro, que o uso incipiente
da assertividade é o grande mal que impede o entendimento adequado entre as
pessoas, promove mal-entendidos que afetam as relações e presta um enorme
desserviço às empresas com geração de prejuízos de toda ordem, decorrentes
de falhas graves na comunicação.
O problema já começa pela dificuldade das pessoas em entender o
que caracteriza uma postura assertiva. Em segundo lugar, vem a de acreditar que
ela realmente é decisiva para mudar o rumo das coisas. Por último a mais difícil:
adotá-la como caminho e colocá-la em prática.
Para nivelar o entendimento, poderíamos dizer que uma pessoa
assertiva é aquela que, nos seus contatos com os outros, apresenta o seguinte
perfil:
*
Expressa seus sentimentos com espontaneidade, naturalidade e calma;
* Adota sempre uma posição clara e transparente, sem disfarces ou vias
indiretas;
* Diz sim ou não como decorrência de análise imparcial (não tendenciosa);
* É firme, quando necessário, sem ferir ninguém;
* Sabe ser flexível, sem abandonar seu espaço vital nem invadir o de outrem.
O uso da assertividade pode ser um fator determinante para a
diferenciação entre uma posição de "chefia" e o exercício da
efetiva liderança. Isto porque os contatos com uma pessoa assertiva não deixam
dúvidas quanto às suas intenções, seus motivos e à forma pela qual age ou
busca seus objetivos, disseminando confiança e trazendo segurança aos demais
com os quais convive.
Isso naturalmente faz com que estas pessoas queiram se aproximar
dela, ou procurem ouví-la sempre que precisarem adquirir certeza sobre qualquer
assunto ou tomar uma decisão para o qual não se sintam seguras.
Sempre que a postura assertiva for característica de um membro da
equipe, ao invés de recair sobre o líder formalmente constituído, acontecerá
um desvio natural da ascendência deste último para o primeiro, ou seja: quem
acaba liderando efetivamente é o membro da equipe que detém a confiança do
grupo, e não quem, na escala da hierarquia da organização, detém o
"poder".
Isto poderia ser um foco de conflito, não fosse o próprio perfil
do líder assertivo, que lhe proporciona maturidade no uso de sua ascensão
sobre o grupo, e lhe garante suficiente habilidade para neutralizar uma
"dissidência" que só traria prejuízos para ambas as facções
resultantes. Esse líder natural saberá como, sem esvaziar a chefia formal,
direcionar adequadamente as ações da equipe e canalizá-las para a otimização
do resultado coletivo, com conseqüente maximização de benefícios para a
instituição.
Isto porque sua assertividade impede que atue de forma não
transparente ou desleal, ou de uma maneira que o coloque em rota de colisão com
a autoridade formal da organização para a qual trabalha. Quando discorda de
posturas pessoais ou da política vigente, o líder assertivo normalmente deixa
nítida a sua opinião, e consegue fazê-lo sem passar a impressão de que poderá
consistir-se em ameaça para as pessoas ou para a concretização das ações
das quais discorda. E sempre que a discordância ultrapassar os limites que
possa admitir, como cumprir algo que atropele seus valores e princípios, ele
certamente irá expor a situação de forma inequívoca e serena, e pedirá
afastamento do cenário de conflito, mas é pouco provável que se submeta sem
colocar sua posição. Essa serenidade e transparência geralmente são os
componentes que contribuem para que seja compreendido e respeitado, mesmo quando
discorda, e lhe garantam o espaço de volta quando tudo é superado,
restabelecendo a situação de harmonia.
O ideal seria que todas as pessoas em função de liderança se
preocupassem em desenvolver sua assertividade de forma a catalizar efetivamente
as energias de sua equipe, sem necessidade de uma “escala” em algum membro
da equipe que tenha mais ascensão sobre os demais. Bastaria que no exercício
de sua função adotasse como regra:
*
Trabalhar com metas pré-definidas;
* Aplicar sanções mas promover estímulos continuamente;
* Ir direto ao assunto, sempre com respeito;
* Se ater aos fatos, sem atingir pessoas;
* Dirigir com descontração e avaliar com critérios claros;
* Encorajar os outros a proceder da mesma forma;
* Encontrar tempo para pensar e planejar;
* Não cultivar tensões emocionais ou físicas;
* Colaborar para que outras pessoas também as evitem;
* Criar um clima saudável, que evita doenças e absenteísmo, duas grande
pragas dos ambientes pesados nas empresas;
* Estabelecer harmonia com superiores, colegas e colaboradores.
Uma vez incorporada, tal atitude não tardará a promover
resultados visíveis, lembrando que o tempo necessário dependerá de todo um
histórico nas relações entre ele e sua equipe. É claro que, caso sua postura
anterior tiver sido o oposto da que agora está adotando, levará bem mais tempo
para que a equipe se disponha a acreditar que a mudança é para valer. A
persistência e a total transparência de propósitos serão, neste caso,
decisivas para que a transformação obtenha credibilidade e comece a produzir
efeitos.
Se você ocupa uma posição de liderança e pretende começar da
maneira certa, experimente adotar o seguinte:
*
Informe aos outros o que você quer;
* Atenda às suas próprias necessidades. Analise e peça esclarecimentos sobre
solicitações que lhe sejam feitas;
* Enfrente os problemas que surgem o mais cedo possível, não os adie;
* Pratique o uso de frases simples; faça declarações breves e diretas;
* Não use preliminares nem retóricas inúteis;
* Não dê explicações excessivas;
* Não divulgue antecipadamente idéias ainda não conclusivas;
* Não faça suposições: busque sustentação em fatos e dados.
Desnecessário dizer que a prática constante de tal postura acaba
gerando um padrão que se dissemina por toda a instituição, e acaba por formar
as bases de uma nova cultura.
Por último, para que possa, daqui a mais uns tempos, mensurar os resultados da mudança, registre a data em que começou a utilizar as novas regras, parta da premissa de que a persistência inevitavelmente promoverá a confiança das pessoas, tenha a paciência como uma aliada a mais da sua assertividade, e boa sorte!
__________________________________________________________________________________
* Luiz Roberto Bodstein é Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas. Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.