Benchmarking:
A arte de reproduzir modelos de sucesso
Consultor de Plantão nº 08
A
chamada
“espionagem industrial”
é coisa
do
passado.
As modernas teorias de administração adotam o “benchmarking”
como uma forma de “cópia consentida”. A crença hoje é que não basta que
se conheça o “know-how” do concorrente para competir com ele: o que faz a
grande diferença é o talento interno para se lidar com o conhecimento. E isso
não é copiável.
*Luiz Roberto Bodstein
À luz da psicologia, somos a resultante de todas as pessoas que conhecemos ao
longo de nossa vida. Ainda que alguns discordem, essa afirmativa faz bastante
sentido se pensarmos que todos os referenciais que possuímos foram “construídos”
a partir de exemplos e modelos observados em outras pessoas.
Estabelecido um padrão, passamos a compará-lo com outros,
“incorporando” os tidos como melhores e desprezando os “piores” que os
nossos.
Mais alicerçados hoje em milhares de modelos
que deram certo, podemos dimensionar as dificuldades de um percurso sem precisar
necessariamente “quebrar a cara” ao longo da empreitada. “O tolo aprende
com os próprios erros, o inteligente com os erros dos outros”, diz o dito
popular, o que não deixa de ter seu fundo de verdade. Quanto mais ampliada for
a nossa percepção para os exemplos que surgem, e para a requerida adequação
à nossa realidade, tanto mais reduzidas ficarão as nossa probabilidades de
incorrer em erros.
É interessante, portanto, iniciar uma trajetória a partir de um modelo de
sucesso, que poderá ser acrescido de outras experiências bem sucedidas - próprias
ou não. Essa atitude servirá para que se alarguem as chances de um bom
resultado. O “benchmarking”, hoje utilizado nas empresas envolvidas em
programas de Qualidade, nada mais é do que a observação de um modelo bem
sucedido para “copiar” sua trajetória e reduzir os riscos.
A escolha do modelo também poderá ser
decisiva quando disso depender o engajamento de outras pessoas para se lançarem
em uma mesma empreitada. O risco de não comprometimento é tão maior quanto
maiores forem as chances de se “embarcar numa canoa furada”.
Na prática, é importante que se pratique
“benchmarking” com atividades ou empresas de mesma área de atuação que
estejam tendo melhores resultados que os nossos. É claro que fazer
“benchmarking” com quem está em pior situação é uma excelente massagem
no ego, mas não acrescenta nada em termos de aprendizagem.
Escolhido o modelo, o passo seguinte será
manter-se coerente com ele, utilizá-lo como uma trilha a ser seguida, a fim de
gerar credibilidade e convergência de ações. Tratar o modelo como trilha é
mais prático do que utilizá-lo como trilho. A trilha permite eventuais desvios
para adequação a situações não previstas e inserções necessárias. O
trilho não oferece alternativa de se sair dele, e pode ser causa de desistímulo
por conflitos com uma nova realidade.
É bom lembrar sempre que a adaptação do
modelo ao nosso caso específico, levando em conta as limitações e capacidades
próprias, são fundamentais para amplar nossas chances de reproduzir também o
seu sucesso.
A adoção de um padrão pessoal de trabalho ou
para a equipe com que se interage baseado no “benchmarking” oferecerá, no mímino,
um espelho que funcionará como uma linguagem comum sobre o que se deve ou não
se deve fazer. E isso ajuda muito!
Tomando-se como referenciais a trajetória e o
resultado conhecidos, pode-se fazer as adaptações necessárias, com maior
agilidade e menos riscos, garantindo altos índices de eficiência e eficácia.
Dominando os pontos fortes e fracos do caminho trilhado, as pessoas se sentem
mais seguras, cometem menos erros, reduzem o retrabalho e conseguem maior
produtividade. Mantendo essa confiança, o resultado é planejado e consequente,
obtendo-se qualidade.
As empresas que se prestam a oferecer
“benchmarking” para as menos experientes pouco a pouco estão descobrindo
que não são as fórmulas mágicas, trancadas a sete chaves, que lhes garantem
o sucesso, mas o talento com que trabalham os seus processos internamente,
independente do “know-how” conhecido por seus concorrentes. E isso não se
consegue copiar. Talento é algo desenvolvido de dentro para fora.
E mesmo em termos pessoais, vale o
“benchmarking” individual com o desempenho anterior: a idéia é que cada
qual possa “comparar-se” consigo mesmo, em termos de capacidade para atingir
suas metas nas diversas situações de trabalho. O meio de fazer isso é
questionar sempre a própria atuação:
· Como eu me saía antes nesta situação?
· Como me saio agora com o que já sei a
respeito, em situações semelhantes?
· Quanto evoluí da primeira para a segunda
situação?
· Quanto ainda me falta para explorar tudo o
que preciso?
A principal saída promovida por esse
questionamento é a obtenção de referencial do próprio crescimento, ou
auto-referencial, e da capacidade e potencialidade para a situação em análise.
Fazer “benchmarking” nunca é demais. Quanto mais o exercitarmos, mais
referenciais obteremos para caminhar de acordo com as tendências de mercado e
promover adequação dos nossos rumos antes mesmo que nossos clientes se
conscientizem de suas novas necessidades e, o que é ainda mais importante, sem
incorrer no risco de cair em obsoletismo.
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* Luiz Roberto Bodstein é Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas. Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.