O mercado de trabalho da era da Globalização
Consultor de Plantão nº 10
O perfil do profissional da era da Globalização está passando por radical transformação. Os aspectos que atualmente são valorizados quebram paradigmas que sustentaram o processo seletivo ao longo de toda a história da humanidade, onde características pessoais tornaram-se mais importantes que sua folha corrida de realizações.
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Luiz Roberto Bodstein
Houve
uma época em que o curriculum a ser apresentado em uma entrevista de seleção profissional era uma das principais preocupações do candidato a emprego. Era comum colecionar-se certificados de cursos a que se submetera ao longo da carreira, e listá-los, detalhada e cuidadosamente, para evidenciar conhecimento no assunto requerido. A proporção do contato direto com os quesitos – traduzida pelo período de exercício efetivo das funções exigidas – era um componente decisivo na escolha do futuro ocupante de um cargo.Muita coisa mudou, desde então. Atualmente o currículum presta-se apenas como roteiro para que o entrevistador explore as questões que lhe interessam. Detalhamentos são explorados na medida em que se relacionem com as características exigidas.
Mas o que foi que mudou, realmente? Quais as causas dessa nova forma de avaliação profissional? Simplesmente uma questão de "continuous updating", na linguagem globalizada, ou seja: necessidade de atualização permanente.
Pode-se afirmar, sem muita margem de erro, que o vertiginoso desenvolvimento da tecnologia de comunicação foi responsável pela aceleração da maior parte dos processos, pois permitiu a democratização da informação e a rápida disseminação de referenciais – antes setorizados - pelos quatro cantos do planeta.
Com isso, ouve uma inversão nos critérios de avaliação de profissionais no mercado de trabalho: se antes um longo período de experiência em uma determinada função era referencial para melhores resultados por parte do candidato, agora já não poderia proporcionar essa certeza. Como o contexto muda todos os dias, o sucesso anterior dificilmente será repetido no momento atual, se simplesmente repetir-se as ações da época. A longa experiência anterior deixa de ser sinônimo de segurança e passa a representar vulnerabilidade por obsoletismo; deixa de ser evidência de estabilidade e bom senso do candidato para ser visto como insegurança pessoal ou reduzido grau de ousadia. Enfim, o que antes era o quesito mais representativo de garantia de sucesso, veio a se constituir, por efeito da rapidez das mudanças, em uma ameaça ao resultado que se espera do candidato, transformando o que antes era a melhor das qualidades no que hoje em dia veio a se constituir na maior das ameaças: apego ao passado e resistência a desafios.
Em resumo, um histórico de sucessos no passado pode ser um grande obstáculo para que esse profissional seja considerado ajustado aos novos tempos. Ele precisa antes provar que não ficou acorrentado a uma única forma de buscar resultados, que não conduz seu raciocínio sempre pela mesma lógica, que não traz para o seu presente os vícios e a estrutura de ação que utilizava no passado.
O que o mercado está buscando agora é o "profissional-camaleão", aquele funcionário que desenvolveu uma inesgotável capacidade de adaptação a toda gama de situações que possa vivenciar, que consegue enxergar no novo a sua motivação para vencer, que vê obstáculos como desafios a serem transpostos, e não como empecilhos à sua trajetória.
E é lógico que, num profissional com esse perfil, o que menos importa é o "background" que ele possui. Aliás, até essa designação em inglês, consagrada para se referir ao histórico profissional de uma pessoa, ou à sua sólida experiência em determinada área, passou a ter uma conotação depreciativa: a palavra "back", em si, já significa "atrás", "volta", "retorno", o que vai frontalmente contra a tendência atual, contida nas máximas "pensar à frente", "projetar a visão no futuro", "antecipar-se aos acontecimentos".
Isto porque o contexto atual é outro, a forma de atuar é diferente, e igualmente diversas são as formas de mensurar e tabular os resultados, até porque mudou também o conceito do que se espera como resultado, que não é apenas "fazer lucro" a qualquer preço, mas consolidar a empresa enquanto função social, como fator de sobrevivência e valorização no mercado.
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* Luiz Roberto Bodstein é Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas. Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.