MANIA
DE TRABALHO: CUIDAR É PRECISO
Consultor
de Plantão nº 12
Às
vezes encontramos pessoas para as quais o trabalho em si se tornou mais
importante do que atingir metas, e não se dão conta de que estão perdendo a
noção da diferença entre produzir e permanecer ocupado. É importante
que o trabalho se constitua numa fonte de satisfação e não de sofrimento, mas
quando ele se transforma no único fator de prazer - sobrepondo-se a todos os
outros papéis sociais - é sinal de que algo de muito errado está acontecendo.
*Luiz Roberto Bodstein
Conceitualmente,
“workaholic” é aquele indivíduo que tem uma compulsão doentia pelo
trabalho. O tempo que ele passa trabalhando é mais prazeroso do que
qualquer outra coisa que possa ocupá-lo, a tal ponto que passa a ser mais
importante do que os resultados que ele obtém com seu trabalho. O mundo
familiar, social, o lazer, enfim: tudo o que não se constitui em atividade
exclusivamente profissional, passa a ter uma importância secundária, face ao
valor excessivo que é dado ao verbo “trabalhar”.
A
sintomatologia apresentada a seguir, quando percebida em momentos isolados ou
sem constância, não fazem de você um workaholic. Mas se você apresenta
a maioria simultaneamente, por um período superior a um mês, então precisa
começar a prestar mais atenção e tomar medidas urgentes antes que se torne um
caso crônico, levando seu analista a “pedir arrêgo” e indicá-lo
para algum amigo psiquiatra.
Preste
atenção aos sinais de alerta:
•
Trabalhar mais de 12 horas diárias, por períodos contínuos superiores a 30
dias.
• Trocar o almoço por fast-food, geralmente comprada por um boy, e devorada
na própria mesa de trabalho enquanto manipula o computador.
• Irritar-se com o Gerente de Recursos Humanos quando este lhe diz que suas
duas férias acumuladas o obrigam a gozá-las, e assim que você “entra em férias,
aparece por lá todos os dias "para completar algum trabalhinho que
esqueceu de fechar.
• Encerrar o expediente todos os dias com uma sensação incômoda de que não
deu para fazer nem a metade do que pretendia.
• Matar um leäo por dia” para conseguir atingir seu objetivo e, quando o
consegue, não tem a menor graça, permanecendo eternamente insatisfeito.
• Avaliar as pessoas sempre pela ótica do seu sucesso profissional e nunca
pelos outros resultados na sua dimensão humana, social, etc.
• Avaliar a si mesmo como alguém que sempre trabalha mais, é mais
competetente e mais consciente de suas responsabilidades que os outros.
• É surpreendido pelo funcionário que tem que fechar o escritório várias
horas depois de encerrado o expediente, depois de despedir-se várias vezes, e
acaba por ficar com as chaves para “devolver” no dia seguinte.
• Pode proclamar-se estimulador de sua equipe de trabalho, mas deixa a todos
irritados na forma como sempre acaba deixando o resultado “com a sua cara”,
pois ninguém consegue finalizar “redondinho” aquilo que ele
conhece tão bem.
• Considerar-se um perfeccionista, buscando sempre a decisão ou execução
ideal. É claro que ela nunca chega, pois ele está sempre remendando até
o último prazo de entrega.
• Não diferenciar os feriados, sábados ou domingos dos demais dias.
- Falar ao telefone, em média, mais de 60 minutos por dia.
- Em toda e qualquer negociação, deixar nos outros sempre uma sensação de
defesa inglória, pois prevalece sempre seu ponto de vista. Seu lema
é “vencer ou vencer.
• Nos momentos de crise, ser sempre o primeiro a ser lembrado como
“bombeiro para apagar o incêndio.
• Oferecer-se regularmente para fazer o trabalho dos outros.
• Pedir o que precisa que os outros façam, e no final acabar fazendo quase
tudo o que cabia a eles.
CAUSAS:
São inúmeras
as causas que podem levar uma pessoa a se tornar um fanático em trabalho ou
"workaholic". As mais comuns são:
Nível
Pessoal:
•
Problemas conjugais, ambiente tenso no lar
• Sensação
de fracasso no seu papel familiar (como marido, pai, etc..)
• Cobranças
familiares excessivas (por melhor padrão de vida, por exemplo)
• Contexto atual de grandes dificuldades financeiras
Nível Organizacional:
•
Empresas que valorizam mais os processos de trabalho que os resultados
(recebe-se mais elogios ao ser visto trabalhando depois do expediente do que
realmente atingindo as metas).
• Escalada de produtividade ou de contingência financeira,
em que todos têm que “dar sua cota de sacrifício” trabalhando mais e
ganhando menos
• Momentos de corrida para acompanhar inovações
tecnológicas
• Épocas de acirramento da concorrência externa ou de
competições internas
• Culturas que estimulam a motivação para competir, em oposição à de cooperar.
CONSEQÜÊNCIAS MAIS
COMUNS:
• Comportamento agressivo
ou defensivo tipo “o mundo está contra mim”, com rejeição pelo ambiente
profissional ou familiar.
• Inversão do sentido de prioridade: trocar o macro pelo micro.
• Começar o dia cansado, como se já tendo trabalhado várias horas.
• Ansiedade permanente.
• Motivar-se somente durante a busca do resultado, mas desmotivar-se quando o
consegue.
SUGESTÕES
PARA BUSCAR A "CURA":
• Comparar seu resultado com de outros colegas, nas mesmas
condições de trabalho.
• Comparar seu resultado hoje com seus próprios resultados há algum tempo
atrás.
• Registrar as atividades desenvolvidas que não levam a nada, mas consomem
tempo.
• Fazer primeiro as tarefas que trazem mais resultados, e depois as
“urgentes”.
• Aceitar a idéia de que não é possível realizar “todo o trabalho” que
lhe for atribuído.
• Tentar acreditar mais na competência alheia, e delegar efetivamente,
concedendo maior autonomia.
• Impor a si mesmo uma rotina clara, em que ações importantes têm seu tempo
respeitado: o programa com sua mulher, o lazer e o acompanhamento das atividades
dos filhos.
• Ouvir mais os outros, buscar mais “feedback”, atentar para a qualidade
dos seus relacionamentos.
• Procurar novos hobbies, quebrar rotinas estressantes, sair mais.
• Conhecer novas pessoas, desenvolver atividades em grupo, aumentar o círculo
de amizades.
• Questionar-se antes
de iniciar qualquer coisa: “Esta é a atividade que traz mais resultados
se eu desenvolvê-la agora? Se eu não o fizer prontamente, o que acontece? Alguém
mais poderá fazê-lo com o mesmo resultado?”
Se você é um gerente, vale lembrar que sua atividade é
avaliada pela sua capacidade de fazer acontecer e não de executar.
Finalmente, pode-se usar como referencial para medição a consciência de que toda competência passa, necessariamente, pela capacidade de avaliar desempenhos e corrigir desvios. Assim, desligue o "piloto automático" e faça regularmente uma análise de seu ritmo e da forma como trabalha. Atenha-se aos resultados, antes dos meios utilizados para buscá-los, e pergunte-se sempre qual desses dois momentos lhe traz mais prazer. Se, apesar da constatação de que as coisas fugiram ao controle, continuar agindo da mesma forma, é hora de ouvir os colegas e aceitar ajuda.
_______________________________________________________________________________________________
* Luiz Roberto Bodstein é Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas. Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.