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ESTILO DE LIDERANÇA: UMA GRIFE PESSOAL?

Consultor de Plantão nº 15

                                                                     

 

A “grife pessoal” em forma de estilo de liderança pode deixar de ser um método de gerenciamento para se transformar num  modelo de tortura para a equipe de trabalho.

 

 * Luiz Roberto Bodstein                   

Ao contrário da antiga crença de que o líder já nasce feito, os modernos conceitos de administração defendem que não basta reunir-se determinadas características de personalidade para ser um bom líder, como também alguém que não as traga de berço não está fadado a jamais vir a sê-lo. O ideal é que a técnica possa ser associada a uma habilidade nata, mas, desde que alguém se proponha a trabalhar sua forma de atuação, é perfeitamente possível tornar-se um bom líder através da aprendizagem de técnicas de gerenciamento e da adoção de atitudes coerentes com a função de liderança.

            Acreditou-se durante muito tempo que os melhores líderes eram aqueles que conseguiam  a todo custo firmar-se em cima de uma personalidade que se confundia com a sua forma de gerenciar -  uma estilo próprio, dizia-se - que funcionava como uma marca pessoal, uma "chancela" que deveria ser identificada em todas as suas ações. O gerente "escolhia"  um  estilo que lhe conferisse um determinado "status" de afirmação e buscava torná-lo bem perceptível às pessoas na organização, como se fosse uma "grife"  pessoal que o distinguia dos demais. A mistura desses dois aspectos - a personalidade e o estilo gerencial - gerava uma gama imensa de  conflitos na relação chefe-subordinado em função de uma mesma forma de atuação aplicada a diferentes pessoas,  que trazia como consequência mais imediata privilégios e discriminações travestidos de  "equanimidade".

 

            Atualmente se sabe que não é possível conseguir resultados com equipes ignorando particularidades de seus integrantes, deixando unicamente a critério da chefia escolher a forma de efetivar o gerenciamento, nem tampouco adotar um único modelo de condução que se preste a todas as situações e a todas as pessoas.

           

            Assim, o melhor estilo de gerenciamento será o que estiver mais adequado ao momento que se está trabalhando, levando-se sempre em conta as diferenças individuais e a situação enfrentada. O Gerenciamento não pode ficar à mercê de temperamentos difíceis ou da instabilidade de humor de seus titulares.  Além disso, não existe um estilo ideal de gerenciar qe se aplique a todos os casos.  Portanto, a adoção de um único produzirá fatalmente um elevado percentual de conflitos, com a agravante de que, via de regra, gerentes inseguros buscam sempre adotar um estilo que passe uma imagem de segurança para se auto-preservarem, e tendem a ser autocráticos e duros demais para não serem questionados em suas decisões. 

 

            Isso pode gerar um outro efeito colateral, que é o de tomar decisões e assumir posturas para as quais não estão preparados, tanto para sustentar as conseqüências de seus atos quanto para dar respaldo a quem os assuma em seu lugar. 

 

            Conclui-se, assim, que a personalidade do gerente não deve ser o referencial para adotar-se "o" modelo ideal para gerenciar a equipe, mas deve, isto sim, estar estruturada sobre valores e princípios éticos, além de um elevado índice de maturidade e percepção para adotar o estilo que mais se enquadre à situação em andamento e às pessoas envolvidas.  Gerenciar, mais do que uma questão de estilo, é um exercício permanente de bom-senso como decorrência de maturidade, competência e interesse.

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* Luiz Roberto Bodstein é Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas.  Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.

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