"14 Bis").
Há uma
semana e meia (1950) o público tinha acesso a aparelhos de TV
(Philips).
Há uma
semana atrás (1958) cruzava os céus o primeiro avião à jato ("Constellation").
Ontem
(1961) Yuri Gararin deu o primeiro passeio no espaço.
Há
alguns minutos atrás (1969) a humanidade testemunhou, em
transmissão ao vivo pela TV, a caminhada de Neil Armstrong no solo
lunar (Apollo 11).
Há
poucos segundos (1980) a Internet revolucionou os meios de
comunicação em todo o mundo.
Há
algumas frações de segundo (1990) a telefonia celular passou a
utilizar satélites em vez de fios para efetuar, por canais de voz e
imagens instantâneas, o contato entre as pessoas.
Os primeiros automóveis, ainda no
início deste século, atingiam a velocidade de 18 quilômetros por
hora, e os estupefatos vanguardistas da época acreditavam que o
homem não resistiria com vida no interior de qualquer veículo que
ultrapassasse a incrível marca de 24 quilômetros horários. Malgrado
suas crenças e temores, pouco mais de 50 anos depois esse homem
viajaria no espaço numa nave com uma velocidade de cruzeiro de 29
mil quilômetros por hora.
Como é que o homem tem resistido à
velocidade com que acontece essa transição? Com certeza buscando
superar-se a cada conquista, aproveitando o que já aprendeu para
facilitar a obtenção do que ainda quer conquistar.
O
espírito de competição e de desafio é inerente à natureza humana, e
um dos fatores que faz com que se sobreponha a todas as demais
formas de vida. Enquanto estas trazem a sua capacidade mínima e
máxima pré-estabelecida, e repetem indefinidamente o mesmo "modus-vivendi",
o homem não se compraz quando não vivencia novas experiências, se
não consegue visualizar horizontes maiores do que aqueles que já
domina.
A necessidade de
avançar, de ir além, de superar os próprios limites, lhe é tão vital
que, não o conseguindo, o ser humano definha e perde a sua razão de
ser. Para ele não existem marcas definitivas, não existem ações
últimas, não existem idéias insuperáveis, nem fronteiras para os
seus anseios. Ele os leva até o infinito. Evidência maior são os
heróis contemporâneos das nossas olimpíadas: eles vêm
sucessivamente superando as suas marcas desde que, pela primeira
vez, experimentaram seus limites na primeira olimpíada da antiga
Grécia. O desafio é quebrar sempre o último recorde, é buscar – sem
nunca esgotar – um ponto além de tudo o que já foi feito até aquele
momento.
O
motivo pelo qual o século 20 foi apelidado "O Século da Pressa" é
que apenas na sua primeira metade inventou-se mais coisas
do que ao longo dos milhões de anos anteriores da história da
humanidade. E a velocidade com que ele deixa para trás a sua última
conquista e se lança na busca de outra, é sempre crescente.
Quanto
maior a dificuldade que encontra, maior ainda se torna a ânsia do
homem para derrotá-la e suplantar a sua própria marca anterior. Seus
desafios não se resumem ao momento da competição com outros homens,
quando prova perante os outros a sua superioridade. Nos momentos em
que não está fazendo isso, busca continuamente competir consigo
mesmo, exercitando-se para superar sua última marca, expandindo-se
interiormente para atingir o patamar seguinte, nunca antes atingido.
Voar
cada vez mais alto, atingir pontos cada vez mais distantes... até
onde pode chegar esse anseio humano? Até que ponto sua capacidade
física, intelectual ou até - se formos além - espiritual, lhe
permite chegar? Ainda que jamais consiga divisar a sua meta final, o
homem sente necessidade de dar mais um passo. No seu íntimo sabe que
é imprescindível continuar expandindo os seus limites.
Os
atuais métodos de gestão procuram instituir nas organizações uma
cultura de mudança, ou seja, uma mentalidade em que a mudança possa
ser assimilada como algo necessário e importante para o
desenvolvimento da empresa e das próprias pessoas que nela
trabalham. Dentro dessa cultura, não existe um ponto ideal a ser
atingido e, assim, concluir o processo, mas sim uma busca permanente
de melhorias que poderia ser comparada a uma interminável espiral
que segue rumo ao infinito. Esse conceito é expresso dentro dos
chamados princípios, preconizados pela Qualidade, como os da
“Constância de Propósitos”, da “Melhoria Contínua” e da “Busca da
Perfeição”.
Descobriu-se
recentemente que o que assusta as pessoas e gera resistência às
mudanças é o aspecto de desconhecimento do que virá a seguir. Elas
receiam que as mudanças impostas a uma situação que já dominam
possam representar perdas de suas conquistas, como "status quo",
bens materiais, ou de outros fatores que se traduzam por
segurança.
Em um
ambiente de maturidade e consciência, as mudanças promovidas pelas
pessoas (agentes) devem ser cuidadosamente planejadas e amplamente
discutidas com todas aqueles que, de alguma forma, estarão
submetidas a elas, seja como agentes ou pacientes, para se adequarem
à nova realidade que irá promover. E quanto às demais – não
previstas ou involuntárias – um adequado planejamento estratégico
pode retirá-las do rol das situações tidas como "fora de controle" e
inseri-las no elenco daquelas para as quais se poderão estabelecer
ações preventivas – de forma a evitar que ocorram os desvios
– ou contingenciais, para as quais se podem montar planos de
reação aos efeitos indesejados de forma a mantê-los dentro de uma
margem de risco planejado, em que o processo sofra a menor
interferência possível e permaneça sob condições aceitáveis.
Via de regra,
porém, não são as mudanças contextuais que assustam mais as pessoas.
Elas têm mais medo é das promovidas intencionalmente, principalmente
quando não entendem os critérios sobre os quais se fundamentam, e
muito menos conseguem visualizar se ela significa evolução ou virá a
se configurar em perdas em um futuro próximo.
O
sentido da gestão participativa extrapola as fronteiras da
organização, havendo a necessidade de uma constante interação com
seus clientes diretos, fornecedores, acionistas, controladores,
parceiros e comunidade, através de canais de comunicação sempre
abertos e com elevado grau de confiabilidade e eficácia, de forma
que as mudanças - sejam contextuais ou intencionais - não venham a
se constituir em ameaças, mas em formas naturais de evolução. As
pessoas deixam de alimentar qualquer receio pela mudança quando ela
se transforma em sinônimo de melhoria, que deve ser sempre o
critério que a justifica.
Dessa
forma podemos concluir que, para retirar o medo e eliminar nas
pessoas a resistência às mudanças, o que os gerentes precisam fazer
é discutir amplamente as mudanças que pretenderem implantar.
Isso vale tanto para o cliente externo quanto para o interno. Se as
pessoas forem ouvidas, poder-se-á estabelecer critérios que atendam
às suas necessidades e deixem claros os resultados que poderão ser
obtidos, desde que haja convergência para buscá-los. A conseqüência
mais imediata desse processo é a transformação de "pacientes
assustados" em agentes comprometidos com as mudanças que se pretenda
ou se faça necessário implementar.
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Luiz
Roberto Bodstein é
Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão
pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas.
Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio
Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.