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RESPONSABILIDADE
SOCIAL:
Como as ações sociais podem influenciar a vida das
Empresas
Consultor de Plantão
nº 19
Entrevista com o Consultor Luiz Roberto Bodstein para a jornalista
Patrícia Bispo e publicada no website RH.COM.BR (endereço:
www.rh.com.br
), quando aquele importante veículo de comunicação empresarial se
propôs a levar para seu público informações sobre a importância dos
programas sociais para as empresas no Brasil. O texto resultante
da entrevista concedida para a repórter está integralmente
transcrito abaixo.
*
Luiz Roberto Bodstein
RH.COM.BR
-
Qual a importância dos programas sociais para o desempenho das
empresas e dos colaboradores?
Luiz Roberto Bodstein
-
Atualmente todas as
metodologias dos Programas de Qualidade nas empresas preconizam que
os programas sociais são parte indispensável do processo de
melhoria, já que os novos conceitos de mercado não aceitam mais
desvincular-se o resultado institucional do papel social que a
empresa deva desempenhar no contexto onde ela se insere. E quando
se fala em programa social, ele não fica restrito ao âmbito interno,
aquele que só beneficia o seu quadro de colaboradores. As empresas
de hoje precisam também trazer algum tipo de benefício coletivo mais
amplo, oferecendo algum retorno às comunidades as quais estão
integradas. Isso significa que o papel exigido é bem maior do que o
de simples prestadora de serviços ou produtora de determinados
bens: ela se torna parceira da comunidade e co-responsável pelo seu
desenvolvimento através de benefícios paralelos de toda ordem, que
não precisam ter qualquer vínculo com a razão de ser da
organização. Colaboradores ou comunidade, a empresa tem hoje que se
empenhar para torná-los mais felizes, proporcionar-lhes uma melhor
qualidade de vida. Isso é parte integrante dos princípios da
qualidade, amplamente difundido, que não se trata mais de opção de
algumas instituições, mas da sobrevivência de todas.
RH -
De que forma os programas sociais
podem ser estimulados?
LRB
- Os programas de qualidade a que me
referi anteriormente já trazem esse estímulo como conteúdo
obrigatório de suas metodologias de implantação, conhecidas como
"Ações de Incentivo à Qualidade". Tais ações envolvem campanhas
internas, capacitação técnica de pessoal, premiações, participação
da família na empresa, etc. As chamadas "ações de carga rápida" -
que promovem mudanças internas com grande impacto entre o pessoal -
também fazem parte dessas medidas. Em nível oficial, os Prêmios
Nacionais da Qualidade, instituidos na grande maioria dos países,
constituem-se em grandes programas de estímulo, que envolvem
diretamente o lado social. Estamos vivendo uma época de
conscientização cada vez maior para a questão da humanização no
trabalho como causa direta para o sucesso das
empresas.
RH - Como
as ações sociais podem interferir na rotina de uma organização?
LRB
- De todas as formas possíveis, a partir da
premissa de que existe uma relação direta dessa preocupação na
empresa com o "animus" das
pessoas para atingir as metas propostas pela Direção. Diga-se de
passagem que programas sociais bem sucedidos não são aqueles que só
oferecem vantagens financeiras: em minha experiência como consultor
em grandes empresas tenho visto muitos projetos fracassados por
conta de gente muito bem paga. Num elenco de 10 fatores
motivacionais para os colaboradores, estatisticamente a remuneração
nunca está acima do 5º ou 4º lugar. O reconhecimento pelo
desempenho, o respeito nas relações e a valorização de suas
atividades vêm sempre antes. Então para a questão sobre como os
programas sociais podem interferir, eu diria: de TODAS as formas!
Eles hoje se constituem em sustentação dos processos
institucionais, e não em apenas mais uma alternativa
para melhorar o desempenho.
RH:
Quais os principais obstáculos
para se desenvolver iniciativas sociais no Brasil?
LRB
-
A mais difícil é a da falta de consciência de uma grande parte do
empresariado. Não tanto nas multinacionais ou nas de grande porte,
mas entre micro e pequenos empresários. Geralmente eles não têm o
mesmo acesso - por questões de custos e de disponibilidade - para se
desenvolverem na mesma proporção, terem acesso a programas de
qualidade, sistemas de garantia de qualidade como as Certificações,
etc. Com isso ficam defasados em relação às maiores. Seus donos
geralmente fazem tudo: são diretores, gerentes e vendedores do seu
próprio negócio. Não podem se dar ao luxo de viajar para um curso
de uma semana, porque senão a empresa pára. O Governo não facilita
muito também, impondo-lhes uma pesada carga tributária e limitando
sua margem de lucro ao ponto de mal terem como manter seus negócios,
quanto mais fazer alguma reserva para se atualizarem.
RH -
E
quanto ao setor público, qual é a situação?
LRB
-
O próprio servidor público também está
bastante defasado com relação ao que se faz nas grandes empresas
privadas. Quando faço consultoria para estatais já não me
surpreende o fato de que a mais banal das ferramentas que aplico no
setor privado para eles se constitui em enorme novidade!
Supervalorizam recursos metodológicos considerados obsoletos pelo
mercado desenvolvido. Se considerarmos que só as microempresas
empregam algo em torno de 70% da mão de obra nacional, e que os
restantes 30% ainda englobam, além do serviço público, os
incrédulos, que continuam defendendo que treinamento e programa
social é só "prá inglês ver", temos aí um quadro ainda bem distante
do ideal. Basta mencionar que nos últimos 20 anos não avançamos
absolutamente nada em quantidade da mão de obra treinada.
Estatísticamente permanecemos dedicando a treinamento o mesmo 1% do
tempo de trabalho do funcionário, que era praticado nas décadas de
70 e 80, enquanto que no Japão esse índice é de 10%. Também é de
1% sobre o faturamento o índice de investimento em pesquisa, contra
5% nos EUA e Europa, e 8 a 12% no Japão. Com tanto descaso para
treinamento e pesquisa, não poderíamos estar melhor do que estamos.
Mas com tudo isso tivemos grandes avanços nesses mesmos 20 anos,
porque melhoramos em
qualidade e não em
quantidade. Esse mesmo 1% de trabalhadores foram treinados para
definir indicadores coerentes com as metas, e assim obtiveram
resultados bem superiores aos de 20 anos atrás. A fórmula está
correta, mas precisamos torná-la acessível a todos. A maioria ainda
nem tem conhecimento de que existe uma forma melhor de fazer o que
fez até aqui. Precisaríamos convencer a alta cúpula, até mesmo no
governo, de que o caminho é investir nas pessoas. A grande maioria
"entra na onda" por causa da crescente pressão, mas não acredita
que é por aí. Mas terão que aceitar, mais dia, menos dia.
Esse é o lado positivo, entra inúmeras desvantagens, da globalização
da economia.
RH -
Quem mais lucra com as iniciativas sociais? A
empresa, os colaboradores ou a própria sociedade?
LRB
- Todos, sem distinção: os colaboradores se sentem valorizados e
retribuiem com melhor desempenho; as empresas atingem suas metas e
aumentam seus lucros;
com isso ampliam suas ofertas de trabalho, trazem divisas para o
país e cumprem seu papel social.
RH
-
O
Sr. poderia apontar vantagens e desvantagens para programas
empresariais voltados para a área social?
L RB
- Vantagens: todas! Como já ficou bem explanado nas questões
anteriores. Desvantagens? Não consigo imaginar nenhuma, exceto para
aquelas empresas que ainda não os utilizam. As estatísticas têm
provado o grande retorno que as equipes de trabalho tem oferecido às
empresas que nelas apostam. Creio que se o Governo oferecesse mais
incentivos ao desenvolvimento social, e não só ao
econômico, oferecendo estímulo a capacitação, a um custo mais
acessível às micro e pequenas empresas, com certeza poderíamos
atingir um patamar qualitativo bem superior ao que estamos agora, e
possivelmente mais rapido do que o fizeram na América e na Europa.
Basta dizer que, embora o número de empresas Certificadas pelos
sistemas de garantia de qualidade no Brasil sejam infinitamente
menores, o nosso crescimento anual foi o mais alto do mundo: 13% ao
ano, contra 10% no resto do mundo, superando inclusive os Tigres
Asiáticos. Imaginem se
tivéssemos mais apoio!
________________________________________________________________________________________*
Luiz
Roberto Bodstein é
Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão
pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas.
Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio
Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.
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