Houve
uma época em que o currículum a ser apresentado em uma entrevista de
seleção profissional era uma das principais preocupações do
candidato a emprego. Era comum colecionar-se certificados de
cursos a que se submetera ao longo da carreira, e listá-los,
detalhada e cuidadosamente, para evidenciar conhecimento no assunto
requerido. A proporção do contato direto com os quesitos –
traduzida pelo período de exercício efetivo das funções exigidas –
era um componente decisivo na escolha do futuro ocupante de um
cargo.
Muita coisa mudou, desde então.
Atualmente o currículum se presta apenas como roteiro para que o
entrevistador explore as questões que lhe interessam. Se antes
eram verdadeiras enciclopédias sobre a vida do candidato, agora são
bem mais concisos, diretos e objetivos. Devem mostrar apenas os
aspectos fundamentais da carreira do profissional. Detalhamentos
são explorados na medida em que se relacionem com as características
exigidas.
Até um histórico de sucessos no passado
pode ser um grande obstáculo para que esse profissional seja
considerado ajustado aos novos tempos. Ele precisa antes provar que
não ficou acorrentado a uma única forma de buscar resultados,
que não conduz seu raciocínio sempre pela mesma lógica, que não traz
para o seu presente os vícios e a estrutura de ação que utilizava no
passado.
O que o mercado está buscando agora é o
“profissional-camaleão”, aquele funcionário que desenvolveu
uma inesgotável capacidade de adaptação a toda gama de situações que
possa vivenciar, que consegue enxergar no novo a sua
motivação para vencer, que vê obstáculos como desafios a serem
transpostos, e não como empecilhos à sua trajetória. Isto porque o
contexto atual é outro, a forma de atuar é diferente, e igualmente
diversas são as formas de mensurar e tabular os resultados, até
porque mudou também o conceito do que se espera como resultado. E é
lógico que, num profissional com esse perfil, o que menos importa é
o histórico que ele possui.
A questão da empregabilidade no mundo
globalizado está passando por uma grande crise, neste primeiro
momento. Vê-se no mundo inteiro um cenário sem parâmetros na
história moderna da humanidade. De repente as ações que antes eram
consideradas como um caminho infalível para os resultados desejados
deixaram de representar qualquer garantia para se chegar a eles. As
empresas estão, por seu lado, investindo mais no desenvolvimento da
visão empreendedora, o governo investe também em programas de
desenvolvimento social que buscam capacitar jovens em final de curso
universitário - e até em soldados próximos de dar baixa dos quartéis
- para que possam enfrentar esse novo mercado competitivo e não
aumentar os índices de desemprego, informalidade ou marginalidade.
Portanto, é fundamental estar preparado para fazer frente às atuais
exigências, ao invés de deixar a universidade ou a caserna às cegas
e sem qualquer objetivo, como era comum até agora.
Apesar de as novas regras se
constituírem num enorme desafio, ao mesmo tempo elas favorecem
enormemente aos jovens que estão tentando sua primeira colocação.
Enquanto que antes eles costumavam levar desvantagem disputando a
mesma vaga com um candidato mais experiente, hoje em dia, como
dissemos, o que conta muito mais é a sua ousadia para lidar com o
novo e a sua capacidade de adequação e aprendizagem. Isso faz com
que esses jovens saiam com grande vantagem em relação aos mais
velhos, que já trazem vícios dos quais têm dificuldade de se
libertar, tanto por estarem acostumados a um mercado que valorizava
os seus conhecimentos, quanto por não assimilar com tanta facilidade
as novas tecnologias como o profissional jovem, que já cresceu
dentro delas.
O fato é que a globalização decretou o
fim da era das generalidades, e estabeleceu que a especialização é o
caminho para o desenvolvimento. Daí que esse pensamento alterou
substancialmente tanto o direcionamento dado á preparação formal dos
profissionais quanto o padrão de exigência do novo mercado que se
estruturou a partir daí, e começou a enfatizar os quesitos técnicos
de formação comprovável em detrimento do conhecimento notório da
fase anterior.
Desenvolver
um conhecimento específico, possuir um diferencial em termos de
Mestrado ou Doutorado, além da formação acadêmica de sua
especialidade, e um elevado grau de determinação aliado a um perfil
adaptável e ousado passou a se constituir em fator decisivo na hora
de conseguir uma boa colocação. Quem não se preocupar em preencher
estes quesitos na hora de buscar um vaga, principalmente em se
tratando do primeiro emprego, enfrentará uma difícil concorrência, e
dificilmente conseguirá algo em que possa apostar em termos de
futuro.
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