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O JOVEM PROFISSIONAL E O MERCADO DE TRABALHO

Consultor de Plantão nº 20

 

O curriculum profissional destes novos tempos já não é o mesmo.  Colecionar certificados e mostrar uma longa ficha corrida não é o que hoje impressiona os entrevistadores.  O que as empresas estão pedindo é gente que substitui o passado pelo futuro, e consegue fazer a empresa chegar lá com ele.

 

 * Luiz Roberto Bodstein               

 

Houve uma época em que o currículum a ser apresentado em uma entrevista de seleção profissional era uma das principais preocupações do candidato a emprego.   Era comum colecionar-se certificados de cursos a que se submetera ao longo da carreira, e listá-los, detalhada e cuidadosamente, para evidenciar conhecimento no assunto requerido.  A proporção do contato direto com os quesitos – traduzida pelo período de exercício efetivo das funções exigidas – era um componente decisivo na escolha do futuro ocupante de um cargo.

 

Muita coisa mudou, desde então.  Atualmente o currículum se presta apenas como roteiro para que o entrevistador explore as questões que lhe interessam.   Se antes eram verdadeiras enciclopédias sobre a vida do candidato, agora são bem mais concisos, diretos e objetivos.   Devem mostrar apenas os aspectos fundamentais da carreira do profissional.  Detalhamentos são explorados na medida em que se relacionem com as características exigidas.

Até um histórico de sucessos no passado pode ser um grande obstáculo para que esse profissional seja considerado ajustado aos novos tempos.  Ele precisa antes provar que não ficou acorrentado a uma única forma de buscar resultados, que não conduz seu raciocínio sempre pela mesma lógica, que não traz para o seu presente os vícios e a estrutura de ação que utilizava no passado.

O que o mercado está buscando agora é o “profissional-camaleão”, aquele funcionário que desenvolveu uma inesgotável capacidade de adaptação a toda gama de situações que possa vivenciar,  que consegue enxergar no novo  a sua motivação para vencer, que vê obstáculos como desafios a serem transpostos, e não como empecilhos à sua trajetória.  Isto porque o contexto atual é outro, a forma de atuar é diferente,  e igualmente diversas são as formas de mensurar e tabular os resultados, até porque mudou também o conceito do que se espera como resultado.  E é lógico que, num profissional com esse perfil, o que menos importa é o histórico que ele possui. 

A questão da empregabilidade no mundo globalizado está passando por uma grande crise, neste primeiro momento.  Vê-se no mundo inteiro um cenário sem parâmetros na história moderna da humanidade.   De repente as ações que antes eram consideradas como um caminho infalível para os resultados desejados deixaram de representar qualquer garantia para se chegar a eles.  As empresas estão, por seu lado, investindo mais no desenvolvimento da visão empreendedora, o governo investe também em programas de desenvolvimento social que buscam capacitar jovens em final de curso universitário - e até em soldados próximos de dar baixa dos quartéis - para que possam enfrentar esse novo mercado competitivo e não  aumentar os índices de desemprego,  informalidade ou marginalidade.  Portanto, é fundamental estar preparado para fazer frente às atuais exigências, ao invés de deixar a universidade ou a caserna às cegas e sem qualquer objetivo, como era comum até agora.

Apesar de as novas regras se constituírem num enorme desafio, ao mesmo tempo elas favorecem enormemente aos jovens que estão tentando sua primeira colocação.  Enquanto que antes eles costumavam levar desvantagem disputando a mesma vaga com um candidato mais experiente, hoje em dia, como dissemos, o que conta muito mais é a sua ousadia para lidar com o novo e a sua capacidade de adequação e aprendizagem.   Isso faz com que esses jovens saiam com grande vantagem em relação aos mais velhos, que já trazem vícios dos quais têm dificuldade de se libertar, tanto por estarem acostumados a um mercado que valorizava os seus conhecimentos, quanto por não assimilar com tanta facilidade as novas tecnologias como o profissional jovem, que já cresceu dentro delas.

 O fato é que a globalização decretou o fim da era das generalidades, e estabeleceu que a especialização é o caminho para o desenvolvimento.  Daí que esse pensamento  alterou substancialmente tanto o direcionamento dado á preparação formal dos profissionais quanto o padrão de exigência do novo mercado que se estruturou a partir daí,  e começou a enfatizar os quesitos técnicos de formação comprovável em detrimento do conhecimento notório  da fase anterior.

 Desenvolver um conhecimento específico, possuir um diferencial em termos de Mestrado ou Doutorado, além da formação acadêmica de sua especialidade, e um elevado grau de determinação aliado a um perfil adaptável e ousado  passou a se constituir em fator decisivo na hora de conseguir uma boa colocação.  Quem não se preocupar em preencher estes quesitos na hora de buscar um vaga, principalmente em se tratando do primeiro emprego, enfrentará uma difícil concorrência, e dificilmente conseguirá algo em que possa apostar em termos de futuro.    

 

(Artigo escrito a pedido da Jornalista Waleria de Carvalho para publicação em revista voltada para o público jovem).

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* Luiz Roberto Bodstein é Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas.  Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.

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