Revista Paola
- O que é proibido fazer e dizer numa entrevista de trabalho?
Luiz Roberto Bodstein -
Não olhar nos olhos do entrevistador é
um dos pecados mortais: passa insegurança e levanta dúvidas quanto à
honestidade das respostas. Não se deve dizer mais do que o
necessário para elucidar o que se pede, e jamais colocar opiniões
pessoais a respeito dos temas abordados, a menos que o entrevistador
pergunte.
RP - E o que deve ser dito sempre?
LRB -
Tudo o que for perguntado, e sempre
com a maior honestidade possível. O entrevistador é treinado para
separar a realidade dos "enfeites" utilizados pelo entrevistado para
tentar impressionar.
RP - Deve-se falar somente o que é perguntado?
LRB -
Deve-se permanecer dentro do assunto que
está sendo explorado, mas não necessáriamente dando respostas
monossílábicas ou concisas demais que não permitam ao entrevistador
conhecer melhor o pensamento do entrevistado. É totalmente
contra-indicado, porém, que o entrevistado se estenda demais, para
mostrar seu conhecimento do assunto, principalmente quando esse
conhecimento não seja realmente profundo para lhe dar segurança.
Isso é facilmente percebido pelo entrevistador.
RP - Como discordar do que é dito por quem está
entrevistando?
LRB -
Se se estiver seguro com relação à
discordância, pode-se fazê-lo naturalmente, mostrando o seu ponto de
vista, mas sempre de forma gentil e simpática, e jamais "batendo de
frente" com a afirmativa do entrevistador. A conhecida saída do
"Sim, mas..." é sempre válida. Não é raro que o entrevistador use
desse recurso para verificar até que ponto o entrevistado tem
segurança em um assunto, ou em relação à sua própria opinião para
externá-la de forma clara, direta e gentil. Sendo colocada de forma
assertiva, a discordância pode ser um ponto a mais para o
entrevistado. Mas é preciso usar de diplomacia e inteligência.
RP - Qual a roupa mais adequada para esse tipo de
entrevista? E quanto à cor e estampas? E como deve ser a maquiagem,
bijuteria, esmalte e cabelo?
LRB -
Para os homens, o paletó e e a gravata
via de regra são bem-vindos. Mas é claro que o tipo de cargo a que
se concorre tem tudo a ver com a roupa com que se apresenta. Para
uma vaga a motorista particular, por exemplo, o traje social é
indicado, mas se for para dirigir ônibus ou caminhões em uma
transportadora, é claro que isso não conta. Há que se ter senso de
adequação e coerência. Se houver dúvida, deve-se escolher o melhor
traje, porém sem excessos nem sofisticações. Se a opção for por
gravata e paletó, atenção para o colarinho bem passado e arrumado, a
gravata com o nó bem dado. Um social "caricato" e desleixado é pior
do que um esporte simples, porém de bom gosto. O paletó ou "blazer"
pode estar desabotoado para dar um ar mais descontraído, mas sempre
bem arrumado e discreto. O tamanho também influi: paletós curtos
demais ou mangas encobrindo parte das mãos são extremamente
deselegantes e causam má impressão.
Para as mulheres vale uma regra geral: discreção! Nada de estampas
chamativas, maquiagem excessiva, bijuterias grandes e brilhantes,
esmaltes espalhafatosos, penteados mais próprios para a noite, ou
com aquele tipo de "escova" nada natural. Muito menos roupas
colantes, com decotes generosos ou sensuais demais. Pode parecer
que, ao invés de se mostrar o que se sabe, a intenção é seduzir o
entrevistador.
RP - É necessário levar currículo e portifólio com
trabalhos anteriores?
LRB -
Isso costuma sempre ser orientado
quando da chamada para a entrevista. Se não for, deve-se sempre
tê-lo à mão. O currículum a ser apresentado deve ser o mais objetivo
possível, sem grandes detalhamentos, que devem ser explorados
durante a entrevista. Hoje existem técnicas específicas para
elaboração de currículos profissionais.
R - Pode atender telefone celular durante a entrevista?
LRB -
De forma
alguma! É altamente deselegante e pode comprometer toda a
entrevista. Celulares devem ser desligados e, de preferência,
mantidos guardados todo o tempo. Ao contrário do que se pensa,
exibir o celular pode ser bem mais "brega" do que um sinal de
"status", dependendo do ambiente. Não se deve mantê-lo nas mãos, e
muito menos colocá-lo sobre a mesa do entrevistador.
RP - Como evitar o nervosismo?
LRB -
Existem duas atitudes anteriores à
entrevista e uma no momento em que ela acontece que reduzem
substancialmente o grau de ansiedade e nervosismo:
1)
Estudar bem o currículum que irá apresentar para assegurar-se de que
vai saber apresentar os detalhes que lhe forem perguntados com total
naturalidade e segurança.
2)
Lembrar que a pessoa que irá entrevistá-lo tem o máximo interesse em
descobrir em você as qualidades que precisa encontrar no
profissional que está buscando, e só candidatar-se se você acredita
realmente que possui essas qualidades.
3) Ser
absolutamente honesto nas respostas, jamais tentar impressionar com
experiências que não teve ou falar do que não tem certeza.
RP - Atraso é permitido? O que fazer quando isso acontece?
LRB -
Em
situações normais, não se permite atrasos. Se o motivo tiver sido
realmente grave ou justificável, é preferível ligar antes de chegar
lá, desculpar-se por telefone explicando o motivo e perguntar de
forma gentil se o entrevistador ainda estaria disponível para a
entrevista. Via de regra, diante de tal atitude o entrevistador,
caso não possa mais aguardar, em função de outros entrevistados,
costuma marcar um novo dia ou horário. É sempre bom lembrar que
motivos de "atraso de condução" não são justificativas válidas nem
simpáticas. Sair com a necessária antecedência para evitar
imprevistos faz parte do cotidiano de quem se planeja, e isso é
levado em conta, principalmente se for um dos quesitos do cargo
desejado.
RP - Existe alguma dica para conquistar o emprego na
entrevista? Qual?
LRB -
Não existe nenhuma "receita de bolo" que
irá garantir esse resultado. O entrevistador é um profissional que
foi treinado para avaliar todo um conjunto de quesitos, e não para
se deixar impressionar por um único aspecto a que se prenda o
entrevistado para tentar "ganhá-lo". Se isto prevalecer será porque
o entrevistador, ou não está suficientemente preparado para a
função, ou se deixou levar por outros interesses que não o de
preservar a isenção e a lisura do processo seletivo. E se isso
aconteceu, não há
nenhuma
regra que se aplique: aí tudo pode acontecer! Portanto eu diria que
o melhor mesmo é não sair procurando por "dicas", mas sim se
preparar adequadamente para o momento da entrevista. Se seguidas
essas regras simples, as chances serão bem maiores. Mas o que vai
decidir mesmo, ainda que sejam cumpridas à risca, é o conhecimento
que é exigido para o cargo, e a resposta que o empregador espera do
seu futuro ocupante. Vencer só a entrevista não é tudo: a confiança
em si para desenvolver a atividade depois, sim. Isto é o principal!