COMPETITIVIDADE: VISÃO DE FUTURO COM PÉ NO CHÃO
Consultor de Plantão nº 27
Empresas ou pessoas precisam entender que vivemos numa época em que a competência para sobreviver passa, necessáriamente, por estratégias bem estruturas para se atingir metas igualmente bem definidas, o que faz a grande diferença entre sonho e realidade.
*Luiz Roberto Bodstein
A questão da competitividade está passando por uma grande crise, nestes tempos de globalização. Vê-se no mundo inteiro um cenário sem parâmetros na história moderna da humanidade. De repente ações que antes eram consideradas como um caminho infalível para resultados desejados deixaram de representar qualquer garantia para se chegar a eles.
Países europeus ricos e de moeda estável, como foi o caso da França – antes utilizados como exemplos de ações políticas bem sucedidas – na década de 90 atingiram índices alarmantes de desemprego, igualando-se, nesse aspecto, a outros excluídos do mundo desenvolvido e em estágios sociais degradantes, como os da África e da América Latina. Os dos franceses igualaram-se aos da Colômbia, que vive uma guerra civil há anos e tem sua população mergulhada num verdadeiro caos político entre o poder legitimamente constituído e a guerrilha. A Argentina liderou a década com quase 15% de sua população desempregada, e a Finlândia, um dos países mais evoluídos do mundo, atingiu uma taxa de quase 18%.
Uma aparente explicação para esse fenômeno é que a globalização esteja exigindo das empresas e das pessoas além do que elas conseguem oferecer, neste momento difícil de transição entre o modelo tradicional de competitividade vs. empregabilidade e os atualmente em voga, por exigência da rapidez com que as coisas acontecem.
Verificamos que a corrida por atualização e a perda de "status" por obsoletismo tornou-se uma angústia comum, que não distingue culturas nem escolhe geografia. A conseqüência mais imediata é a competição selvagem para evitar a degradação social pelo empobrecimento repentino, e o agravamento das diferenças por conta dos que não conseguem acompanhar o novo ritmo. Na maioria das vezes as dificuldades para corresponder a tais exigências não se deve à negligência da população, mas sim à falta de previsão dos governos, que não os supriram com um mínimo de preparo para mudanças contextuais tão violentas.
O novo mercado que começou a surgir a partir da universalização de tendências introduziu uma nova forma de se pensar os negócios, independente da natureza do empreendimento : entender competitividade como pré-requisito para continuar vivo, ao invés de vê-la simplesmente como estágio para posições privilegiadas no "hanking" das maiores. Ser competente assumiu caráter obrigatório, podendo o termo ser traduzido pela obtenção dos melhores resultados com o mínimo de recursos. Na prática, a fórmula – aplicada tanto a pessoas físicas quanto jurídicas, é se organizar de forma a desenvolver o máximo de eficiência e perseguir a eficácia em cima de três pressupostos básicos :
a) definição de estratégias mais flexíveis;
b) estabelecimento de estruturas mais leves; e
c) concentração nos resultados.
A definição de estratégias mais flexíveis fundamentou-se em grandes erros de um passado bem recente que todos conhecem, determinante para o fechamento de até 90% das empresas antes do primeiro ano de funcionamento. O fator mais palpável que se constatou dentre esses erros foi a incrível resistência ou dificuldade de seus dirigentes para projetar suas visões de futuro, ou simplesmente tirá-las do plano da fantasia para transformá-las em ações efetivas, ou seja : tornar realidade o que ficava apenas nos sonhos megalomaníacos dos visionários.
Ter pleno conhecimento de sua realidade para dimensionar a exata distância que separa um simples desejo de seus objetivos reais, estabelecer metas realísticas mas, ao mesmo tempo, com grau bem dosado de ousadia e desafio, passou a ser imprescindível.
Ter v
isões é fundamental, sim, pois sem elas o futuro não existe. Mas nunca é demais, como bem lembrou Joel Barker, não esquecer que "visão, sem ação, não passa de um sonho; ação, sem visão, é só um passatempo ".________________________________________________________________________________________
* Luiz Roberto Bodstein é Consultor de Organizações, especialista em Sistemas de Gestão pela Qualidade, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas. Consultor, Instrutor e Conferencista pela Fundação Getúlio Vargas, SEBRAE e IBQN-Inst.Bras.Qualidade Nuclear, entre outras.