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CRIATIVIDADE GERENCIAL COMO FERRAMENTA 

DO GERENCIAMENTO EFICAZ

Consultor de Plantão nº 33

                    

 O processo motivacional no gerenciamento criativo decorre de estímulos que provocam e movimentam a equipe para resultados, prestando-se a despertar o entusiasmo e a alegria para se alcançar resultados.  Um gerente criativo pode ser a mola-mestra para extrair o máximo de sua equipe de trabalho, da mesma forma que o técnico no futebol se torna o maior responsável pela competência do time dentro de campo.   

                                                                                                             * Luiz RobertoBodstein 

Criatividade é a capacidade de interagir com o meio, utilizando os recursos disponíveis de tal maneira que se possa atingir resultados surpreendentes.  Por conta disso não está associada à quantidade ou até à qualidade desses recursos, mas sim à capacidade de otimizá-los de tal forma que, através de diferentes combinações, possa-se obter inúmeras soluções criativas.              

            A chamada Personalidade Criativa é a que reúne determinadas qualidades naturais, tais como autoconfiança, fluência de idéias, curiosidade intelectual, atitude investigadora, entre outras, que facilita significativamente a consecução de resultados criativos. No entanto, não trazer tais qualidades de berço não representa necessariamente uma incapacidade para agir criativamente. Experiências recentes têm demonstrado que a criatividade pode ser aprendida, ou seja: uma pessoa pode estimular sua percepção e conhecer técnicas que lhe possibilitem desenvolver um comportamento criativo. E uma vez exercitadas continuamente, a conseqüente ampliação da capacidade investigativa a levará a utilizar cada vez mais o seu potencial criativo.   

Tratando-se, portanto, de uma qualidade adquirida e decorrente de empenho próprio, e não necessariamente nata, é claro que uma postura gerencial voltada para a busca continua de soluções criativas acaba por contaminar toda a sua equipe, e desenvolver nos seus integrantes a capacidade de explorar ao máximo todos os recursos de que dispõe, por mais limitados que sejam, para descobrir os seus múltiplos usos de forma a suprir um número significativo de dificuldades à primeira vista tidas como "insolúveis".   

Um contínuo exercício de esforços direcionados para soluções criativas acaba por desenvolver habilidades que a própria equipe desconhecia possuir, onde aprende a arte de surpreender a si própria com resultados obtidos através do aproveitamento de situações simples do cotitiano, que se multiplicam em progressão geométrica e vão adquirindo um rítmo cada vez mais ágil a cada nova tentativa.     

Mas, para que isso aconteça, é fundamental que o seu líder possua antes tais qualidades para funcionar como agente multiplicador natural e estendê-las a todos os demais, o que só ocorre com a criação de um tal nível de afinidade que cada integrante funcione como espelho para os outros, ao reproduzir atitudes que assumem proporção de "marca registrada" da equipe de trabalho.  

Significa dizer que o Gerente passa a atuar como agente motivacional, estabelecendo condições de estímulo e gerando participação através de permanente envolvimento da equipe no processo decisório.  A chave é estar atento a uma série de componentes que precisará introduzir no convivio diário com sua equipe de trabalho, e que se transformarão, com o tempo, em uma característica do relacionamento entre seus integrantes, estabelecendo uma sintonia entre eles e impulsionando suas ações, através da sinergia produzida, para os resultados institucionais, como decorrência de uma "percepção interativa" que se estabelece como sentimento comum.  Por sua vez, este sentimento acabará por consolidar-se como uma cultura que é incorporada por quem faz parte dela, e reconhecida como identidade do grupo de trabalho por quem a observa de fora. 

Entre os ditos componentes poderíamos enfatizar todo um conjunto de atitudes demandadas pelo gerente e praticadas de forma permanente, tais como:

·                    a auto-aceitação e, por extensão, a das demais pessoas, aproximando-se delas sem, contudo,  invadir seu espaço, entendendo que a busca do acerto é condição sine qua non para o sucesso, mas que a falha é componente natural no comportamento humano, desde que vista como oportunidade de aprendizagem;

·                     a premissa de que as pessoas são confiáveis até que provem que não o são, e não  o contrário;

·                     colocar-se disponível para as pessoas, na medida do possível, evitando gabinetes trancados e excesso de protocolos para acesso;

·                     trabalhar com disposição e alegria, e criar ao seu redor um clima de descontração;

·                     manter seu entusiasmo mesmo quando a equipe tender ao desânimo;

·                     buscar descobrir oportunidades para elogiar em lugar de procurar ocasiões para repreender;

·                     ser firme sem agredir ninguém, e quando tiver que aplicar sanções, só levar em conta a falta, não suas impressões a respeito da pessoa;

·                    motivar para mudanças através de conhecimento dos erros, e cultivar a convicção dessa necessidade;

·                    preservar a opção  adulta e consciente pela mudança, e o empenho em modificar comportamentos inadequados substituindo-os por outros mais pertinentes;

·                    exercitar perseverança e paciência frente a obstáculos que se opuserem às  mudanças. 

Para  os  que defenderem  que tais coisas parecem óbvias demais é importante lembrar que o principal ingrediente da criatividade - que é conseqüência direta dessa liberdade para se expor idéias e expressar sentimentos - é justamente a simplicidade, a habilidade de reunir elementos comuns do cotidiano e transformá-los em resultados inéditos que até então se acreditava distante da realidade por falta dos recursos ditos "concretos".    Mas é aí que se revela o diferencial que leva uma pessoa comum à loucura, se confinada em um quarto confortável durante um periodo mais longo, e desperta a genialidade em outras que buscaram em si mesmas as condições para transformar um minúsculo e escuro cubículo de uma solitária em uma fonte inimaginável de recursos.               

 

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