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O DNA empresarial com foco na resiliência
 
Consultor de Plantão nº 51

 

Como qualquer outro organismo vivo, as empresas também possuem o seu DNA – a organização estrutural interna – que determina a forma como se conduz no mercado e os resultados que pode atigir a partir de como reage aos estímulos e agentes externos que impactam o contexto onde se inserem.

 *Luiz Roberto Bodstein

As modernas teorias empresarias comparam as empresas a um complexo orgânico que, como qualquer ser vivente, reúne qualidades e defeitos, pontos fortes e fragilidades, na sua forma de interagir com o ambiente externo.  Como tal, precisa que tais qualidades e pontos fortes estejam suficiente organizados para suportar o impacto de ameaças vindas de fora e, mesmo assim, não ficar sujeito a riscos que ameacem a sua sobrevivência.   A este fenômeno – o de reagir de forma eficaz e determinante para sua auto-preservação – é que chamamos de “resiliência empresarial”.

Aplicado a pessoas, resiliência é a sua capacidade de passar pelas mesmas dificuldades que levaria a maioria a profundas perdas, e as mais vulneráveis até à morte, sem permitir que os danos atinjam essa proporção por efeito de uma maneira própria de lidar com as dificuldades que não possa evitar, geralmente provenientes de um contexto que não privilegia ninguém.  Uma vez que a força do choque se faz igual para todos, o que faz a diferença é o modo como cada qual se organiza de forma consciente para minimizar ao máximo o impacto através do fortalecimento de seu mecanismo de auto-defesa.  Utilizando uma alegoria, seria como um asteróide que pode tanto cair nas areias de um deserto quanto em uma cordilheira de montanhas rochosas.  Nesta, com certeza, não atingiria a mesma profundidade que as areias permitiram simplesmente por não estarem estruturadas para oferecer a mesma resistência. 

Mas quais seriam, exatamente, os componentes de resistência nas empresas consideradas “resilientes”, que lhes possibilitaria sobreviver a um impacto capaz de retirar muitas outras do mercado?  Segundo Gary Neilson, vice-presidente da Booz Allen Hamilton de Chicago, são quatro os pilares de sustentação, ou “componentes de DNA” das empresas que reuniriam as melhores chances de não terem sua sobrevivência ameaçada frente a desafios que poderiam ter impacto catastrófico sobre outras menos preparadas:   a) autonomia de decisão, b) canais eficazes de disseminação de informação, c) motivação interna e d) uma organização estruturada para a missão. 

A grande vantagem do organismo empresarial sobre o humano é que, neste último, o DNA, uma vez sequenciado geneticamente, não irá se alterar ao longo de toda a existência, enquanto que as empresas podem, a qualquer tempo, reorganizar seus componentes internos de forma a corrigir o seu DNA, introduzindo “anticorpos” e novos elementos que irão torná-la menos suscetível aos impactos externos pela ampliação do grau de resistência. 

Na prática esses pilares se apresentam da seguinte forma: 

a)      A autonomia de decisão se constrói com regras claras quanto a papéis e definição de competências aplicados a todas as funções que dependem do processo decisório para oferecer respostas mais ágeis aos seus clientes; 

b)      Canais eficazes de informação são criados a partir da consolidação dos papéis e confiabilidade quanto aos meios de comunicação utilizados, em que cada qual sabe como ter acesso às fontes corretas para exercer sua atividade de forma integral;  

c)      A motivação passa por incentivos, planos de carreira, fortalecimento da dignidade e outros componentes que interferem no comprometimento dos colaboradores;  e

d)      A organização voltada para a missão inclue os recursos adequados aos desafios a enfrentar, quadro funcional compativel com a complexidade das atividades, equipamentos e ambiente físico que facilita o fluxo do trabalho e interfaces setoriais, além de uma compreensão adequada de onde começam e terminam as atribuições de cada peça do tabuleiro, em perfeita harmonia com as estratégias definidas pela direção, que se mantém presente e permanentemente atenta às regras do jogo. 

Ainda de acordo com Neilson, são dez as características das organizações ditas “resilientes”.  Seriam elas:

1.      Preparam-se continuamente para lidar com o inesperado – ou “o inconcebível” pela ótica dos comodistas, antecipando-se a desafios que ainda nem se vislumbra a curto ou médio prazos.

2.      Desenvolvem uma cultura interna responsável e comprometida com resultados.

3.      Estão sempre reavaliando suas metas, e elevando-as no máximo a cada 3 anos.

4.      Revestem-se de determinação, perseverança e coragem quanto aos objetivos estabelecidos.

5.      Reagem positivamente às adversidades e reacendem rapitamente o entusiasmo a cada impacto negativo.

6.      Organizam-se em estruturas horizontais, com um mínimo de hierarquia, eliminando “feudos” que concentram o poder.

7.      Escutam e dão respostas para as queixas, mesmo quando as soluções não se mostrem imediatas.

8.      Buscam permanentemente a auto-correção.

9.      Fazem uso de agentes motivacionais adequados a cada proposta de mudança.

10.  Não dormem sobre os louros do sucesso e estão sempre estabelecendo metas além das últimas marcas atingidas.

Isso quer dizer que empresas resilientes – que reforçam os 4 pilares de sustentação e introduzem as 10 características mencionadas, estão livres de ameaças de qualquer nível?  É evidente que não!  O que se pode afirmar é que elas contarão com uma chance de sobrevida significativamente superior à qualquer outra que não contemple tais elementos como filosofia de organização. Em suma, isso se resume a dotá-las de componentes essenciais de visão estratégica, em que nenhum passo é considerado isoladamente, mas visto como parte integrante de todo um contexto que integra os diferentes fatores da sua macroestrutura, e sempre preocupadas em realinhá-los para o próximo estágio de crescimento e adequação – antecipada – ao seu mercado.