Como
qualquer outro organismo vivo, as empresas também possuem o seu DNA – a
organização estrutural interna – que determina a forma como se conduz no
mercado e os resultados que pode atigir a partir de como reage aos estímulos e
agentes externos que impactam o contexto onde se inserem.
*Luiz
Roberto Bodstein
As
modernas teorias empresarias comparam as empresas a um complexo orgânico que,
como qualquer ser vivente, reúne qualidades e defeitos, pontos fortes e
fragilidades, na sua forma de interagir com o ambiente externo.
Como tal, precisa que tais qualidades e pontos fortes estejam suficiente
organizados para suportar o impacto de ameaças vindas de fora e, mesmo assim, não
ficar sujeito a riscos que ameacem a sua sobrevivência.
A este fenômeno – o de reagir de forma eficaz e determinante para sua
auto-preservação – é que chamamos de “resiliência empresarial”.
Aplicado
a pessoas, resiliência é a sua capacidade de passar pelas mesmas dificuldades
que levaria a maioria a profundas perdas, e as mais vulneráveis até à morte,
sem permitir que os danos atinjam essa proporção por efeito de uma maneira própria
de lidar com as dificuldades que não possa evitar, geralmente provenientes de
um contexto que não privilegia ninguém. Uma
vez que a força do choque se faz igual para todos, o que faz a diferença é o
modo como cada qual se organiza de forma consciente para minimizar ao máximo o
impacto através do fortalecimento de seu mecanismo de auto-defesa.
Utilizando uma alegoria, seria como um asteróide que pode tanto cair nas
areias de um deserto quanto em uma cordilheira de montanhas rochosas.
Nesta, com certeza, não atingiria a mesma profundidade que as areias
permitiram simplesmente por não estarem estruturadas para oferecer a mesma
resistência.
Mas
quais seriam, exatamente, os componentes de resistência nas empresas
consideradas “resilientes”, que lhes possibilitaria sobreviver a um impacto
capaz de retirar muitas outras do mercado?
Segundo Gary Neilson, vice-presidente da Booz Allen Hamilton de Chicago,
são quatro os pilares de sustentação, ou “componentes de DNA” das
empresas que reuniriam as melhores chances de não terem sua sobrevivência ameaçada
frente a desafios que poderiam ter impacto catastrófico sobre outras menos
preparadas: a) autonomia de
decisão, b) canais eficazes de disseminação de informação, c) motivação
interna e d) uma organização estruturada para a missão.
A
grande vantagem do organismo empresarial sobre o humano é que, neste último, o
DNA, uma vez sequenciado geneticamente, não irá se alterar ao longo de toda a
existência, enquanto que as empresas podem, a qualquer tempo, reorganizar seus
componentes internos de forma a corrigir o seu DNA, introduzindo
“anticorpos” e novos elementos que irão torná-la menos suscetível aos
impactos externos pela ampliação do grau de resistência.
Na
prática esses pilares se apresentam da seguinte forma:
a)
A autonomia de decisão se constrói com regras claras quanto a papéis e
definição de competências aplicados a todas as funções que dependem do
processo decisório para oferecer respostas mais ágeis aos seus clientes;
b)
Canais eficazes de informação são criados a partir da consolidação
dos papéis e confiabilidade quanto aos meios de comunicação utilizados, em
que cada qual sabe como ter acesso às fontes corretas para exercer sua
atividade de forma integral;
c)
A motivação passa por incentivos, planos de carreira, fortalecimento da
dignidade e outros componentes que interferem no comprometimento dos
colaboradores; e
d)
A organização voltada para a missão inclue os recursos adequados aos
desafios a enfrentar, quadro funcional compativel com a complexidade das
atividades, equipamentos e ambiente físico que facilita o fluxo do trabalho e
interfaces setoriais, além de uma compreensão adequada de onde começam e
terminam as atribuições de cada peça do tabuleiro, em perfeita harmonia com
as estratégias definidas pela direção, que se mantém presente e
permanentemente atenta às regras do jogo.
Ainda
de acordo com Neilson, são dez as características das organizações ditas
“resilientes”. Seriam elas:
1.
Preparam-se continuamente para lidar com o inesperado – ou “o
inconcebível” pela ótica dos comodistas, antecipando-se a desafios que ainda
nem se vislumbra a curto ou médio prazos.
2.
Desenvolvem uma cultura interna responsável e comprometida com
resultados.
3.
Estão sempre reavaliando suas metas, e elevando-as no máximo a cada 3
anos.
4.
Revestem-se de determinação, perseverança e coragem quanto aos
objetivos estabelecidos.
5.
Reagem positivamente às adversidades e reacendem rapitamente o
entusiasmo a cada impacto negativo.
6.
Organizam-se em estruturas horizontais, com um mínimo de hierarquia,
eliminando “feudos” que concentram o poder.
7.
Escutam e dão respostas para as queixas, mesmo quando as soluções não
se mostrem imediatas.
8.
Buscam permanentemente a auto-correção.
9.
Fazem uso de agentes motivacionais adequados a cada proposta de mudança.
10.
Não dormem sobre os louros do sucesso e estão sempre estabelecendo
metas além das últimas marcas atingidas.